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Com Retalhos iluminados, Ana Isabel supera a deficiência visual


Data: 07-04-2004

Belo Horizonte, MG

Conversar com essa mineira de fala tranqüila é admirar sua força criadora. Mais que um exemplo, Ana Isabel nos oferece a demonstração de que vale a pena perseguir os sonhos: aos 70 anos, parcialmente cega, ela não só concluiu o curso de Artes Plásticas, mas também teve um trabalho premiado na edição 2003 do Concurso Banco Real Talentos da Maturidade.

Foto de Ana Isabel Figueiredo de Carvalho


A perda de visão, há oito anos, foi repentina, quando Ana Isabel - então costureira e modelista conceituada, dona de atelier – freqüentava o segundo ano da Faculdade de Artes Plásticas na Universidade do Estado de Minas Gerais.

Ela conta: “Um dia, ao olhar para a janela, achei suas linhas deformadas, como se estivessem tortas. Era um sinal de perda do foco no olho esquerdo. Os médicos me tranqüilizaram, afirmando que o problema não atingiria o olho direito. Algum tempo depois, porém, também aconteceu.”

A visão através de uma cortina

Ana Isabel foi atingida por uma doença rara, conhecida como “degeneração da mácula”, motivada pelo rompimento de veias que impedem a focalização das imagens. “Passei a viver por detrás de uma cortina de voal”, ela conta, para logo em seguida acrescentar: “mas meu cérebro deseja participar e desfrutar desse período que, aqui na terra, me coube viver.”

O problema visual a obriga a usar uma lupa especial para trabalhar e escrever. Diante da televisão, por exemplo, Ana Isabel não percebe as formas delineadas, mas apenas círculos escuros. “Não consigo distinguir os movimentos da Daiane dos Santos, que dizem ser lindos”, lamenta.

Apesar desse grande problema, ela mantém a criatividade e a disposição para perseguir seus ideais. Afinal, está habituada à luta: costura desde os sete anos, aos 17 já havia concluído o Curso Normal e aos 60 ingressou na Faculdade de Artes Plásticas - onde conheceu o problema da deficiência visual - e não só obteve a licenciatura em sua especialidade: fez, também, a pós-graduação.

Viva a força da criação

Nesse período, começou o trabalho “Meus retalhos iluminados”, um conjunto todo em alto relevo, formado por tecidos pretos de vários tipos, com bordados em linha de seda e escritos em braille, com vidrilhos e miçangas. “Meu David é o que me resta de mundo estético”, brinca, “peguei-o emprestado. Agora ele é meu. Estou tentando traduzi-lo entre o tátil e o visual, entre o belo e o grotesco, entre o branco e o negro. Transfiguro o mármore no tecido, a agulha no cinzel.”

Foto do trabalho Retalhos iluminados, que deu um prêmio a  Ana Isabel


Essa soma de determinação e criatividade levou Ana Isabel a concorrer com milhares de participantes, no Concurso Banco Real Talentos da Maturidade: em 2003, as 5 categorias tiveram 17 mil inscrições. Vencedora, ela esclarece: “Meu David tem 500 anos, é uma homenagem a Michelangelo. Mas é um David moderno, um David dos tempos de Lula”.

Vontade, superação e alegrias

A força e a determinação da artista mineira também tiveram reconhecimento nacional, por meio do programa “A voz do Brasil” do dia 12 de março, dedicado à mulher brasileira. Para aquela noite, Ana Isabel escreveu um texto - “São os ideais que animam a vida” - do qual destacamos um trecho:

“O ideal é aquilo que cada um deseja para se sentir feliz e realizado na vida. Ele pode, muitas vezes, ser retardado, mas nunca esquecido, e muito menos ainda ser depreciado. Quando se caminha atrás de uma meta, deve-se pensar que, se algumas vezes os passos serão fáceis e rápidos, em outras haverão de ser difíceis e penosos. E somente a reconstituição de experiências e até mesmo de desenganos passados poderão nos auxiliar nesses momentos.

Foi por assim pensar e agir que segui a minha vida, sempre à procura de alguma coisa. Os meus ideais foram muitos, mas um ficou na minha mente: 'Um diploma de curso superior.' No percurso desta minha existência, isto nunca saiu da minha cabeça.

Deixei de estudar muito, talvez por outros ideais, e foi ficando para trás o meu grande sonho. Quantas vezes ao levantar-me, de imediato vinha aquela idéia: E o meu diploma? Ficava sempre para depois. Os afazeres, a labuta, as viagens, as vaidades, outros cuidados e ia meu sonho por água abaixo.

Hoje, com meus queridos já formados, chegou a minha vez.”

Novos sonhos, novas metas

Como boa guerreira, Ana Isabel não dorme sobre os louros das conquistas. Casada há mais de 50 anos, desfruta a feliz convivência ao lado do marido, três filhos, noras, genro e quatro netos. "Quase um batalhão, todos firmes e amigos”.

A artista plástica também continua a criar e a trabalhar no seu David, o que considera uma tarefa infinita. E ainda freqüenta, é claro, as aulas de outro curso superior - desta vez de História.
Afinal, o mundo gira, sem parar.

E segundo Ana Isabel, não há tempo a perder.


Entrevista a Zilda Ferreira
Fontes e fotos: Dep. de marketing e eventos do Banco Real e arquivo da entrevistada.





 
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